PERÍODO ENTRE GUERRAS - A CRISE DE 1929 E OS REGIMES TOTALITÁRIOS

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PERÍODO ENTRE GUERRAS - A CRISE DE 1929 E OS REGIMES TOTALITÁRIOS

Mensagem por Admin em Dom Set 29, 2013 10:14 am




A Crise de 1929
   Introdução

 O ano de 1929 pode ser considerado o marco de uma das maiores crises da história do capitalismo. Foi o ano em que os Estados Unidos foram abalados por uma grave crise econômica que repercutiu no mundo inteiro.
 Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918),os Estados Unidos, foram os principais fornecedores dos países europeus, exportando grandes quantidades de produtos industrializados, alimentos e capitais (sob a forma de empréstimos).
 No pós-guerra, os Estados Unidos, tornaram-se a maior potência econômica do mundo. Em 1920, a indústria norte-americana produzia quase 50% de toda a produção industrial do mundo. Por quase toda a década de 20, a prosperidade econômica gerou nos norte-americanos um clima de grande euforia e de consumo desenfreado, gerando o modo de vida americano (American way of life), como modelo de progresso. Viver bem significava consumir cada vez mais.
 Porém, no final da década de 20, a produção norte-americana atingiu um ritmo de crescimento muito maior do que a demanda por seus produtos, gerando uma crise de superprodução.
 Em 1929, os Estados Unidos conheceram uma profunda crise econômica, com a queda da Bolsa de Valores de Nova York, que gerou uma grave crise interna, um alto índice de desemprego e que acabou afetando vários países do mundo.
Causas
 Até por volta de 1925, os países europeus lutavam com dificuldades para reconstruir a Europa, arrasada pela guerra. À medida que a reconstrução da Europa foi se reorganizando, Inglaterra, Alemanha e França procuraram atualizar seus parques industriais e tomaram uma série de medidas protecionistas para reduzir as importações norte-americanas.
 Ao se aproximar o ano de 1929, os Estados Unidos produziam uma enorme quantidade de mercadorias para as quais não existiam compradores. Os preços das mercadorias despencavam e mesmo assim, não encontravam consumidores. A queda no comércio interno ocorreu porque os trabalhadores, que eram boa parte da população, recebiam baixos salários e não tinham recursos para comprar muitos produtos.
 Os industriais perceberam então, a necessidade de reduzir o ritmo da produção.  Para isso precisavam demitir milhões de trabalhadores. No decorrer da crise, o número de desempregados nos Estados Unidos atingiu mais de 15 milhões de pessoas.
 A agricultura também enfrentava dificuldades devido à superprodução. Os fazendeiros norte-americanos foram obrigados a pagar altas taxas para armazenar seus produtos agrícolas e para evitar a queda do preço dos alimentos, no mercado interno. Mas, a simples existência desses estoques provocou o barateamento dos gêneros de primeira necessidade. Muitos fazendeiros endividados junto aos bancos, foram obrigados a entregar-lhes suas propriedades em pagamentos da dívida.
 A superprodução provocada pelo subconsumo, a queda geral dos preços e a especulação geraram uma crise sem precedentes: a quebra da Bolsa de Valores, foi o início da Grande Depressão.
 O governo procurava manter a ilusão de que tudo ia bem para, com isso, criar novas oportunidades de negócios fáceis. Membros do governo, políticos e outras pessoas influentes, através dos jornais e rádio, mantinham a imagem de prosperidade. As manifestações dos desempregados e as greves por melhores salários eram reprimidas com violência.

A Crise


Investidores em frente ao prédio da Bolsa de Valores de Nova York, no dia 24 de outubro de 1929, na "quinta-feira negra".
A crise atingiu o mercado de ações e em 24 de outubro de 1929, a "quinta-feira negra" ocorreu o crack ("quebra") da Bolsa de  Valores de Nova York.
 Era na Bolsa de Valores que as grandes empresas americanas negociavam suas ações. Com a crise, muitas empresas foram à falência e o valor das ações na Bolsa caiu assustadoramente de um dia para outro.
 A desvalorização refletia a estagnação do parque industrial norte-americano, cujas empresas faliam cada vez mais. Bancos faliram e milhões de trabalhadores americanos perderam seus empregos.
 A quebra da Bolsa de Valores de Nova York repercutiu na maioria dos países capitalistas.
 Muitas pessoas perderam grandes somas de dinheiro com isso. Houve pânico, desespero, tendo ocorrido até mesmo numerosos casos de suicídio.
 O desemprego aumentou em todo o país: a miséria atingiu grande parte da população, pois a economia como um todo ficou profundamente desorganizada. Com a crise em 1929 e 1932, a produção industrial americana foi reduzida em 54%. Os 13 milhões de desempregados, em outubro de 1933, representavam 27% da população economicamente ativa no país.




A Crise no Mundo

  A quebra da Bolsa de Valores de Nova York repercutiu na maioria dos países capitalistas. No período de 1929 a 1933, o comércio internacional teve uma redução de 25% e a  produção industrial teve uma queda de aproximadamente 39%.
 Na Europa, os americanos retiraram o dinheiro emprestado, provocando; falências em bancos; falências em empresas; aumento do número de desempregados.
 Na América Latina, a repercussão da crise foi muito grande, pois os países forneciam basicamente produtos agrícolas e matérias-primas aos Estados Unidos. Com a crise, os Estados Unidos reduziram ou cortaram as compras que faziam desses países. Com menos dinheiro, os países latino-americanos deixaram de investir, gerando com isso desemprego e miséria.
  O Brasil também foi afetado pela crise de 1929. O Café era o principal produto de exportação brasileiro, e os Estados Unidos, o nosso principal comprador. Por causa da crise, os Estados Unidos diminuíram suas compras de café, provocando o aumento dos estoques do produto no Brasil.
  A Grande Depressão só não atingiu a União Soviética, que, isolada pelos países do Ocidente após a Revolução Socialista de 1917, tinha um comércio insignificante com os países capitalistas.

O New Deal

  Para reverter a crise, o democrata Franklin Delano Roosevelt (1933-1945), eleito presidente dos Estados Unidos em 1932, adotou uma série de medidas sócio-econômicas para recuperar a economia norte-americana. A nova política econômica ficou conhecida como New Deal.
 
  O New Deal (Novo Acordo), foi inspirado nas idéias do economista inglês John Keynes (1883-1946). O New Deal era um programa misto que procurava conciliar as leis de mercado e respeito pela iniciativa privada com a intervenção do Estado em vários setores da economia.
  O Estado passou a intervir fortemente na economia, a solução foi abandonar o liberalismo econômico, começava uma nova fase do capitalismo, chamado capitalismo monopolista de Estado.

  Principais medidas socioeconômicas adotadas pelo New Deal:

  Controle, pelo governo, dos preços de diversos produtos agrícolas e industriais; auxílio à indústria e controle de produção; empréstimos aos fazendeiros arruinados, para pagarem suas dívidas; execução de grandes obras públicas, para ocupar parte dos desempregados; salário-desemprego, para aliviar a situação de miséria dos desempregados.
  Pacto de reconstrução da indústria, realização de um acordo social pelo qual se garantiam os interesses dos industriais (limitação dos preços e da produção às exigências do mercado) e aos trabalhadores (fixação de salários mínimos, limitação das jornadas de trabalho).
Conclusão
  A política do New Deal não alcançou todo o sucesso esperado. Mas conseguiu dar uma controlada no lado mais terrível da crise econômica que gerava fortes conflitos sociais.
  Com essas e outras medidas, a economia começou a recuperar-se. No entanto, somente a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) criaria as condições para um novo impulso econômico dos Estados Unidos, pois a produção de armamentos aumentou o número de empregados e possibilitou grandes lucros às empresas.



In: http://www.historiamais.com/crise_de_1929.htm
Fontes consultadas:
NÉRE, Jacques. História Contemporânea. 2ªed. São Paulo: DIFEL, 1981.
BRENER, Jayme. 1929: a crise que mudou o mundo. 1ªed. São Paulo: Ática, Coleção Retrospectiva do Século XX, 1996.
NEVINS, Allan e COMMAGER, Steele H. Breve História dos Estados Unidos. São Paulo: Alfa-Omega, 1986.  


Como funciona a bolsa de valores e qual sua importância na crise?


Quando uma empresa precisa de dinheiro para investir (para construir novas fábricas, por exemplo), ela pode pedir dinheiro emprestado aos bancos. Mas quando ela precisa de muito dinheiro, os juros dos bancos tornam o negócio um tanto caro e, talvez, o impossibilite. Neste momento a empresa pode decidir em abrir seu capital no mercado de ações. Neste caso, serão feitas diversas análises e cálculos para que se chegue estabelecer o preço de cada ação individual e quantas delas poderão ser lançadas no mercado. É o chamado “mercado primário”. Neste mercado, corretoras e bancos permitem que seus clientes comprem estas ações da empresa. Todo o dinheiro obtido com a venda das ações, pagando os devidos impostos, irá direto para o caixa da empresa – sem aqueles juros que os bancos cobrariam. Em troca, a empresa fica comprometida a dividir seu lucro líquido ajustado (25% dele, de acordo com a lei vigente) com cada pessoa que detém ações da empresa. Mas não se anime. Mesmo que uma empresa chegue a um lucro bilionário, há milhões ou bilhões de ações dela no mercado. No final, cada ação costuma render apenas alguns centavos. E este pagamento só é feita uma ou outra vez por ano. E se a empresa tiver prejuízo, você não recebe nada.
De qualquer maneira, após sair do “mercado primário”, os detentores iniciais das ações podem querem vendê-las a pessoas interessadas. É aí que entra a bolsa de valores, ou “mercado secundário”. Neste caso, quanto mais pessoas interessadas em comprar uma ação, mas ela tende a se valorizar. No geral, este interesse é mais especulativo, ou seja, na esperança que aquela ação irá se valorizar e, assim, o investidor poderá revendê-la por um preço maior e obter um lucro. O inverso também é verdadeiro: quando muitos querem se desfazer das ações e ninguém quer comprá-las, a tendência é que os possuidores diminuam o preço delas na tentativa de atrair compradores. A ação desvaloriza.

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